Terras raras ganham espaço no debate eleitoral; entenda por que Goiás é estratégico para a exploração do minério no Brasil

  • 23/10/2026
(Foto: Reprodução)
Mineração Serra Verde é considerada a única operação fora da Ásia a produzir, em escala, os quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras Divulgação/Serra Verde Na discussão sobre minerais críticos, as terras raras ganham espaço no debate eleitoral e são citadas nos planos de governo dos dois candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Nesse cenário, Goiás se destaca como um estado estratégico para a exploração do minério no país. 🔎 As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de diversos produtos modernos — de smartphones e televisores a câmeras digitais e LEDs. Apesar de usados em pequenas quantidades, eles são insubstituíveis. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Goiás no WhatsApp Localizada em Minaçu, na região norte do estado, a Mineração Serra Verde é atualmente a única empresa fora da Ásia a produzir em escala comercial os quatro principais minerais para ímãs de alto desempenho: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Em abril deste ano, a USA Rare Earth, que tem participação do governo norte-americano, anunciou a compra da mina Pela Ema por US$ 2,8 bilhões, movimento que reacendeu o debate sobre o interesse dos Estados Unidos nos minerais do Brasil. De acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, ficando atrás apenas da China. O país asiático é responsável por mais de 60% da produção global e quase 90% do refino desses elementos. Por que Goiás é considerado estratégico para a exploração de terras raras no Brasil? Terras raras: mineradora de Goiás conquista destaque mundial na mineração Com a Serra Verde, Goiás conquistou os olhares do mundo e se consolidou como um polo estratégico para a exploração de terras raras. A relevância da região tem atraído parcerias estratégicas e expressivos aportes internacionais. Em entrevista ao g1, a professora Estela Leal, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal de Goiás (FCT/UFG), explicou que Goiás é considerado estratégico para a exploração de terras raras no Brasil devido aos diversos depósitos e projetos de pesquisa mineral desenvolvidos no estado. “Goiás já tem uma posição estratégica. Sem contar também outros depósitos que estão em fase de implementação, como é o caso de Nova Roma, da mineradora Aclara, e outros projetos também, que incluem, por exemplo, o depósito de Catalão”, pontuou. O Projeto Carina, da multinacional Aclara Resources, tem como objetivo implementar uma fábrica no município onde os elementos são extraídos, em Nova Roma. Conforme divulgado pelo Governo de Goiás, o Projeto Carina possui um investimento de cerca de R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 30 milhões apenas na instalação de Aparecida de Goiânia. A Aclara pretende processar aproximadamente 250 toneladas de terras raras. Além disso, Estela destacou que o estado possui uma posição estratégica no contexto de exploração de minerais críticos estratégicos como um todo, não somente quando falamos de terras raras. “Minerais críticos estratégicos também incluem o cobre, o níquel, o ouro. Goiás também é um dos líderes nacionais na pesquisa e na produção desses commodities”, disse. No campo legislativo, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) aprovou a Política Estadual de Mineração Sustentável de Terras Raras, regulamentada por decreto que estruturou a Autoridade Estadual de Minerais Críticos (AMIC-GO) e a criação de Zonas Especiais de Mineração. O marco estabelece incentivos fiscais como o diferimento do ICMS para empreendimentos credenciados que realizarem a industrialização e o beneficiamento em solo goiano. O objetivo é evitar que o estado atue apenas como exportador de matéria-prima bruta, estimulando a fabricação local de ímãs permanentes de alta performance, motores elétricos e baterias. No aspecto socioeconômico, as projeções governamentais estimam a criação de até 12 mil empregos diretos em um período de cinco a dez anos. Essas vagas envolvem uma cadeia multidisciplinar que contempla desde geólogos e engenheiros de minas até especialistas em química, operação industrial e logística internacional. LEIA TAMBÉM: Terras raras: saiba como cidade goiana saiu da exploração de amianto para o centro da disputa internacional de minérios Mina de terras raras vendida a empresa dos EUA por US$ 2,8 bilhões em Goiás: o que muda na prática? ECONOMIA: Terras raras em Goiás: exploração pode gerar mais de 12 mil empregos diretos Importância das terras raras no debate político Mina de terras raras em Minaçu (GO) é alvo de acordo bilionário entre empresa brasileira e americana; operação prevê expansão da produção e fornecimento por 15 anos Divulgação/Serra Verde Segundo a pesquisadora, as terras raras não ganharam destaque apenas no debate eleitoral, pois são um assunto de extrema importância no contexto geopolítico. “Historicamente, toda a parte da cadeia produtiva de terras raras e de boa parte de minerais críticos estratégicos também se concentram na Ásia, mais especificamente na China. A China domina a cadeia, ou seja, domina a produção e o processamento global das terras raras. Goiás acaba sendo uma alternativa estratégica, principalmente para o Ocidente”, afirmou. Estela explicou que o domínio chinês sobre a produção e o processamento desses minerais está relacionado à disputa geopolítica entre as principais potências mundiais. De acordo com ela, a China pretende manter sua posição nesse mercado, enquanto outros países buscam diversificar as fontes de fornecimento de minerais críticos e estratégicos. Nesse cenário, Goiás ganha importância por suas reservas e pelo potencial de atrair investimentos. A professora destacou que o debate eleitoral envolve diferentes propostas para o aproveitamento desses recursos, como a atração de investimentos internacionais, a ampliação da participação do Estado e a industrialização da produção para agregar valor aos minerais extraídos. Para a geóloga, as terras raras representam uma oportunidade de transformar o potencial geológico de Goiás e do Brasil em desenvolvimento industrial, tecnológico e econômico, para além da atividade extrativista. Desafios para o desenvolvimento da cadeia produtiva Um dos principais desafios, segundo a professora, é garantir que o aproveitamento das reservas não se limite à extração e à exportação do concentrado mineral. Embora facilitar a extração primária seja importante, ela ressaltou que o maior desafio é ampliar as etapas de processamento e industrialização dentro do país. “Se a gente só exportar o concentrado mineral, a gente vai estar capturando uma fração do valor econômico da cadeia”, explicou. A pesquisadora pontuou que a cadeia produtiva envolve diferentes etapas, desde a extração mineral e o processamento até a separação química dos elementos, a produção de metais e ligas metálicas e, por fim, a fabricação de componentes tecnológicos. Entre as aplicações das terras raras estão a produção de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos ligados à transição energética, além de tecnologias voltadas à defesa nacional. Estela também apontou a necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa científica, especialmente em áreas como a separação química dos elementos terras raras, além do desenvolvimento de tecnologias para as etapas posteriores da cadeia produtiva. A professora ressaltou ainda que as propostas para o setor precisam considerar o desenvolvimento industrial e a reindustrialização do Brasil, para que o país consiga aproveitar melhor suas reservas e ampliar sua participação nas etapas de maior valor agregado da cadeia. “Eu acho que é isso que vai determinar se o país vai ser cada vez mais protagonista da economia atual”, concluiu. O que dizem os candidatos à presidência sobre as terras raras? Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na última propaganda eleitoral para a TV nesta sexta-feira (23) Reprodução/TV Globo Em 16 de setembro, o presidente Lula sancionou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que prevê a criação de um fundo garantidor para estimular investimentos no setor e institui um crédito tributário de R$ 5 bilhões para incentivar o processamento e a transformação de minerais em território nacional. O texto também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). Durante o discurso, Lula afirmou que, antes de tudo, é preciso vencer os “adversários internos”. “Como sempre, os traidores da pátria, mais uma vez, caíram de joelhos diante dos Estados Unidos. Prometeram entregar nossos minerais críticos e terras raras em estado bruto, a preço de banana, como aconteceu no passado com nosso minério de ferro”, destacou. Lula ressaltou ainda que a soberania do Brasil não está à venda. “A riqueza do Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”, completou. No debate da TV Bandeirantes antes do segundo turno, Lula e Flávio protagonizaram momentos de embate. O petista questionou o candidato do PL sobre as terras raras e perguntou se o grupo do senador pretende entregar terras raras e minerais críticos aos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro classificou a pergunta como “fake news” e “mentira”. Em março deste ano, durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), ainda como pré-candidato à Presidência da República, Flávio defendeu que o Brasil é “a solução para os Estados Unidos quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”. Propostas de Flávio Bolsonaro Em seu plano de governo, o candidato cita as seguintes propostas: Agregação de valor local: Defende que o Brasil deve conectar suas reservas minerais à sua energia limpa para processá-las internamente, em vez de exportar apenas a "pedra bruta" e importar o produto acabado Papel do Estado e licenciamento: Estabelece que o Estado atuará como regulador e coordenador, baseado em seis pilares (marco regulatório estável, licenciamento ágil/técnico, atração de capital estrangeiro sem viés ideológico, verticalização, governança e transparência). Propõe acelerar o licenciamento ambiental e o processo de concessão de direitos minerários Destaque regional: Destaca o Nordeste por possuir reservas de terras raras indispensáveis para a economia, articulando essa riqueza com a produção de energia solar e eólica Propostas de Lula Em seu plano de governo, o candidato cita as seguintes propostas: Política específica nacional: Propõe o desenvolvimento de uma política voltada especialmente a minerais críticos e terras raras para organizar suas cadeias produtivas, diferenciar os usos tecnológicos e evitar a simples exportação de matérias-primas estratégicas Mapeamento e soberania: Prevê uma estratégia regional de mapeamento, beneficiamento e agregação de valor, visando inserir o Brasil de maneira soberana nas cadeias globais de valor Polo industrial no Nordeste: Propõe aproveitar a abundância de energia limpa (eólica e solar) do Nordeste para atrair indústrias eletrointensivas focadas, entre outros setores, no processamento de minerais críticos Mineradora Serra Verde explora quatro elementos de terras raras em Minaçu. Arte/g1 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias sobre Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/10/23/terras-raras-ganham-espaco-no-debate-eleitoral-entenda-por-que-goias-e-estrategico-para-a-exploracao-do-minerio-no-brasil.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 10

top1
1. Deus Proverá

Gabriela Gomes

top2
2. Algo Novo

Kemuel, Lukas Agustinho

top3
3. Aquieta Minh'alma

Ministério Zoe

top4
4. A Casa É Sua

Casa Worship

top5
5. Ninguém explica Deus

Preto No Branco

top6
6. Deus de Promessas

Davi Sacer

top7
7. Caminho no Deserto

Soraya Moraes

top8
8. Jó

Midian Lima

top9
9. Lugar Secreto

Gabriela Rocha

top10
10. A Vitória Chegou

Aurelina Dourado


Anunciantes